segunda-feira, 12 de abril de 2010

Traduzir-se!


Uma parte de mim é todo mundo,
outra parte é ninguém,
fundo sem fundo.

Uma parte de mim é multidão:
outra parte estranheza e solidão.

Uma parte de mim pesa, pondera,
outra parte delira.

Uma parte de mim almoça e janta,
outra parte se espanta.

Uma parte de mim é permanente,
outra parte se sabe de repente.

Uma parte de mim é só vertigem;
outra parte, linguagem.

Traduzir-se uma parte na outra parte
- que é uma questão de vida ou morte -
será arte?

[Ferreira Goulart]

Nenhum comentário:

Postar um comentário