segunda-feira, 1 de julho de 2013

Os prejuízos dos amores moldados

A história do “ninguém muda ninguém” é um dos clichês mas antigos que existem. Mas parece que, de tanto ouvir, algumas pessoas acabam se acostumando com a ideia e esquecendo de colocá-la em prática.

Histórias se repetem dia após dia – a  pessoa entra em um relacionamento já ciente dos defeitos do outro, mas acredita vai conseguir mudar o sujeito. Por amor, feitiço, oração, chantagem, mandinga, o que for – muita gente realmente acredita que o outro vai se transformar só porque começou uma relação. Isso, meu amigo, é pura ilusão.


Passarinho Adestrado


Vamos imaginar o seguinte. Você quer um bichinho de estimação – quer um bicho companheiro, que possa fazer carinho, que seja alegre, que goste de interagir com você. Um cachorro seria perfeito. Você sabe o que quer e sai em busca do tal bichinho que irá te fazer feliz. Mas chegando em uma loja de animais, você não encontra o  que estava buscando – só encontra passarinhos, mas está tão determinada e ansiosa para ter logo uma companhia que decide mesmo levar um deles. Compra gaiola, ração, imagina que ele vai ser muito feliz com você e por alguns momentos até esquece o que estava procurando antes de encontrá-lo.

Eis que você leva o bichinho para casa, mas depois de algum tempo, começa a se sentir sozinha. Sente falta do carinho, do aconchego – até tenta interagir com a coitada da ave, mas tem a impressão que não consegue se conectar a ela, como se ela vivesse em outra dimensão. Você admite que ela é bonita, canta bem, mas falta o resto. Depois de tanto tempo sem estabelecer contato e extremamente carente, você pega o pássaro, começa a fazer carinho, dar um monte de beijos, enquanto o pobre do bicho tenta desesperadamente se livrar da situação.

Já deu para perceber que insistir não vai te levar a lugar nenhum – por mais que você tente, ele não é um mutante e não vai se transformar em cachorro ou gato só porque você quer. Passarinhos não fazem carinho, não dão beijos, não dão lambidas de amor. Passarinhos cantam e voam. Se ter um bicho carinhoso era tão importante para você, deveria ter esperado mais ou procurado mais pra pegar um cachorro em vez de um pássaro. Tentar transformá-lo só vai trazer frustrações e sofrimento para os dois lados. Nesse caso, você tem duas opções: passar a vida toda tentando adestrar o passarinho para que ele aprenda a se comportar como um cachorro ou deixar o bichinho livre e procurar outro que possa te dar o que você procura.



Situações como essas são muito comuns em relacionamentos – pessoas passam a vida toda tentando mudar o parceiro e precisam se frustrar para perceber que ninguém é capaz de fazer isso. As pessoas só mudam por vontade própria, e não para satisfazer o outro. Não há força de vontade e esforço no mundo capazes de fazer um pássaro brincar de bolinha ou pular de alegria toda vez que você chega em casa.

Jogando os moldes fora


Se acha difícil aceitar que jamais conseguirá mudar o outro, tente se colocar no lugar dele – é mais fácil enxergar as coisas deste ponto de vista. Pense em algo que gosta de fazer, que faz parte de você, da sua personalidade, e pense em alguém tentando tirar isso de você, te descaracterizando. Não é nada confortável estar com alguém que quer te transformar em outra pessoa – se escolheu viver com alguém, é preciso aceitar o outro e aprender a conviver com as diferenças. Por isso é tão importante escolher muito bem antes de se envolver com alguém e estar muito atento às características da pessoa que não te agradam, ou que possam te incomodar no futuro. Analise: será que conseguirei conviver com isso, sem que isso me afete ou afete meu relacionamento?

Mudanças são naturais na vida de qualquer pessoa, inclusive de casais – o amadurecimento gera mudanças, mas elas têm que acontecer organicamente, por vontade própria, e não para satisfazer outra pessoa. É irônico pensar que podemos escolher com quem queremos nos relacionar e mesmo assim continuamos insistindo em escolher pessoas erradas e gastar tempo e energia tentando mudá-las.

Nunca é tarde para reconhecer o erro e perceber que não fez a escolha certa – tenha coragem, seja honesto consigo mesmo e admita que não dará certo. Se realmente não consegue conviver com certas características do outro, é preciso deixa-lo ir, para que ambos possam correr atrás da felicidade. A vida é curta demais para perdermos tempo sendo infelizes...


( Texto extraído de Casal Sem-Vergonha - blog )



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