domingo, 16 de novembro de 2014

Ostra Feliz Não Faz Pérola!



''...A ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer. Sofrendo, a ostra diz para si mesma : "Preciso envolver esta areia pontuda que me machuca com uma esfera lisa que lhe tire as pontas…"

Ostras felizes demais não fazem pérolas…pessoas felizes ao extremo não sentem a necessidade de criar. 

O ato criador, seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída…

Por vezes a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade. 

A "dor" em si, faz bem de vez em quando. Ela nos impulsiona à evolução e ao sucesso. 

Portanto, a qualquer sinal de dor, seja ela como for, agradeça! 

O comodismo não muda ninguém. Pra falar a verdade, é ela, a própria dor, de suas 1001 formas que nos ensina a andar pra frente e buscarmos a felicidade mas pequenas coisas que estão ao nosso redor ou dentro de nós mesmos. 

É ela quem nos ensina a curar feridas e a aplicar o remédio certo em qualquer sinal incômodo.

Doeu? Coçou? Agradeça! 

O que não nos move um dedo sequer, também não nos tira do lugar. 

Se não dói, não incomoda. Se não incomoda, ficamos conformados (muitas vezes com o mínimo), acostumamos com isso e não buscamos nada de novo.

A dor nos faz sair da mesmice e procurar maneiras rápidas pra aliviar aquilo que incomoda. Nos faz querer curar feridas, aliviar ''coceiras'' ou mesmo levantar, caçar qualquer remédio, mesmo que seja para nos ajudar a ''vomitar'' o que não faz bem.

Deixe o pessimismo de lado.
Curta um pouco a sua dor. 

Dela você pode tirar lições valiosas que só cabem à você. Ninguém poderá senti-la, ninguém poderá passá-la ou pará-la, apenas ajudar VOCÊ a lidar com ela da maneira que achar certo.

Aproveite-a. Estude-a. Aprenda com ela.

É a sua carne, a sua pele, a sua alma...só cabe a VOCÊ descobrir a melhor forma de lidar com cada pedacinho seu.

Evolua. Sempre e Sempre! 
Doendo, Coçando, Ardendo... ou não.'' : )




( - Inspirada em algumas palavras de Rubem Alves 
 Por Shelley Macedo )



Dores e Amores...


Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.
A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.
A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…
Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega.
Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente, e que só com muito esforço é possível alforriar.
É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’ propriamente dita.
É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.
Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.



(Martha Medeiros)